I Hope Neil Young Will Remember…

Tenho lido ultimamente várias biografias e autobiografias de bandas ou astros de, principalmente, rock and roll. Vejo muitas discussões por aí, principalmente na internet, sobre qual é a melhor, se autobiografias ou biografias. Uns defendendo ferrenhamente uma e outros alardeando as vantagens de outra.
Particularmente, eu acho que cada tipo de narrativa tem suas vantagens e desvantagens, como por exemplo, no caso das autobiografias, o escritor contar a história do seu (dele) ponto de vista e por isso ser muito mais fiel à verdade. A desvantagem, neste caso, é que a pessoa conta a “sua” (dela) versão da história, muitas vezes justificando seus erros sem a chance de réplica. Outra desvantagem bem grande também é que, geralmente, o escritor, na maior parte da sua vida (pelo menos na parte mais interessante), estava sob efeito de drogas. Mas isso também pode ser uma vantagem já que produz relatos por vezes engraçadíssimos. Mas estou digressionando. Já nas biografias as vantagens e desvantagens são, em sua maioria, inversamente análogas.
 Ou seja, esse blá, blá, blá, serviu pra dizer que um bom livro depende de um bom escritor e Neil Young revela-se um mestre.
 img_20141225_175944002-1 copy
Young revela-se um velho chato, ranzinza, implicante e de mudanças súbitas de humor (será que eu me idetifiquei, Bela e Lali ? Rsrsrsrs) e isso gera as melhores histórias.
Parece que ele quer falar dos assuntos que o interessam e ele fala disso muito: seu tocador de música digital de alta qualidade (O Pono, aproveitando para isso, cutucar de leve o itunes e, por conseguinte, a apple), seus hobbies de ferromodelismo, sua coleção de carros e seu projeto de um Cadillac movido à eletricidade que ele chama de Lincvolt. Você vai ler muito sobre isso nas 400 páginas do livro e uma hora vai encher teu saco. Mas vai amar. Ele também fala do que você quer saber, ou seja, de sua trajetória no Rock and Roll, das histórias sobre sua longeva carreira, de sua Les Paul preta (que ele chama de old black), das imitações de Jimmy Fallon e de seu equipamento de palco entre outras coisas.
Mas eu digressionei no início do texto e eu mesmo me acusei, você lembra?  Você não viu nada!  Neil é a digressão em pessoa.  O livro não é linear cronologicamente e, se você é daqueles que só leem 10 páginas por dia, vai se atrapalhar um pouco.  O que me pareceu é que, ao entregar as páginas na editora, o editor ligasse pra ele furioso e:
– Mas Neil, e o Buffalo Springfield ?
– Porra, cara ! Eu tenho MESMO que escrever sobre isso ?
Mas leia. Eu recomendo. Você se emocionará com as histórias sobre seus dois filhos com paralisia cerebral (um de cada esposa!), com a cura de sua poliomielite e, quem sabe, se identificará com suas relações familiares e com sua juventude em um pequena cidade do interior.  História de vida pra tirar nossa próprias lições e conclusões.
Algumas frases:
– “A vida é um sanduíche de merda. Coma ou morra de fome.”
– “Seja excelente ou suma daqui !”
Anúncios

2 thoughts on “I Hope Neil Young Will Remember…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s