Bonhoeffer

Quem me conhece minimamente, sabe que eu sou, pra usar um eufemismo brando (que é uma redundância), bastante interessado quando o assunto é guerra, sobretudo a Segunda Grande Guerra.  Tenho livros diversos sobre o assunto, que cobrem os vários e abundantes aspectos do conflito.  Desde os que falam das grandes batalhas, seus líderes e generais, até o relato de soldados que vivenciaram-na no dia a dia, passando por livros de cirurgiões que atuaram no campo de batalha, as pessoas que foram afetadas direta e indiretamente, o holocausto judeu, as armas utilizadas etc .  Resumindo: quase todos (senão todos) os aspectos.
Mas eu nunca havia ouvido falar em Dietrich Bonhoeffer.
Até que a Isabela me fizesse essa surpresa e me desse de presente de aniversário (ganho muitos presentes bons, não é não?) o livro “Bonhoeffer: Pastor, Mártir, Profeta, Espião”.  A princípio, aloquei-o na minha (interminável) pilha de livros “para ler” onde esperaria a sua vez.  Mas, bastante intrigado, passei-o na frente de outros (faço isso com frequência alarmante) e comecei a leitura.
 bh
Não perdi.  Aliás, ganhei e muito.
O livro começa falando da família do biografado.  É uma parte que poderia ser mais concisa, achei um pouco extensa.  Talvez o escritor Eric Metaxas tenha se empolgado porque a família dele é, por si só, fascinante.  Eles vêm da aristocracia alemã e são nobres na acepção da palavra e seus (muitos) irmãos também se destacaram.  O patriarca Karl, era um psquiatra influente e foi rival das teorias de Freud, só pra citar um exemplo.  Mas vou citar outro: sua mãe, Paula Von Hase, foi pioneira nos direitos das mulheres. [Na foto a seguir, vemos Paula Bonhoeffer com seus oito filhos.  Dietrich é o menino loiro perto de sua mãe.]
 bonhoeffers

Mas o que me chamou a atenção nessa primeira parte do livro, foi, pra usar um termo da minha área de atuação, a “Cultura Organizacional” da família.  Eles pregavam e punham em prática, valores com os quais me identifiquei e que eu tento (já vinha tentando antes) passar pros meus filhos (Né, Laís, João e Leozinho ?) e pra minha família.  Por isso Dietrich e seus irmãos se transformaram no que foram.  Fica evidente que, se os valores forem bons, eles sobrevivem ao teste do tempo.

Bonhoeffer escolheu ser Pastor Luterano.  Formou-se em Teologia na Universidade de Berlim.  Estudou profundamente o catolicismo, viajou o mundo e, quando os alemães que não concordavam com o Hitler (e os que eram alvos de sua perseguição), estavam saindo da Alemanha, ele fez o inverso e retornou pra sua pátria mãe para fazer parte da resistência.
Ele pregava e batia doído.  Uma citação dele: “É muito mais fácil, para mim, imaginar a oração de um assassino, a oração de uma prostituta, do que a oração de uma pessoa vaidosa.  Nada está em tão desacordo com a oração quanto a vaidade.”  Interprete.
Quando Hitler chegou ao poder, ele já chegou batendo forte no conceito alemão de Líder (Fuhrer), mostrando já ao que veio e de que lado estava.  Não quero ficar aqui transcrevendo citações dele.  Isso você lerá no livro, caso se interesse pela minha resenha.  Mas adianto aqui que esse é o tema de sua obra mais famosa, o livro “Discipulado”.
A meu ver, o mais importante do livro é o paralelo com os dias de hoje.  Hitler, ao nazificar a Alemanha (tentou inclusive nazificar a igreja, coisa que não conseguiu, levando os dissidentes a fundar a Igreja Confessante, da qual Dietrich foi um dos signatários), tirava as coisas do contexto para benefício próprio (Nietzsche e o seu conceito de “Super Homem” foram algumas de suas vítimas), distorcendo os fatos em seu favor.  Muitas coisas que aconteceram naquela época, naquele contexto, estão acontecendo nos dias em que vivemos e num cenário alarmantemente parecido, descontando-se a evolução (?) cultural e tecnológica que a nossa raça atravessou de lá pra cá.
Nesse aspecto, o livro é uma luz, uma benção para aliviar e curar nossos males, nos fortalecer.  Abre nossos olhos e nos ensina a sempre exercer o nosso Cristianismo, não importando o quanto sombrios são os tempos que estamos passando, afinal, Bonhoeffer, pregou e, mais além, praticou o Cristianismo numa época que, talvez, foi a mais sombria época da humanidade.  Numa época em que ser Cristão e Alemão parecia ser um paradoxo, ele foi um e outro num só e muito mais.  Só pra exemplificar, ele teve contato estreito com o negros americanos e, ao mesmo tempo, com a Skull and Bones (sinistro!).  Uma pena ele ter sido Mártir, mas Deus tem seus prórios planos.
Outra coisa sobre o livro que poderia ter sido mais explorada foi sua eficácia como espião (coisa que não fica muito clara), mas isso não estraga, de jeito nenhum o prazer de ler o livro, que tem o mérito maior de nos apresentar esse personagem extremamente importante e muito pouco falado, da humanidade.
Não é leitura fácil, mas eu recomendo você a tentar ler.  No final, você se sentirá gratificado por ter lido esse livro.
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