Colorado e War!

Entre outros presentes de Natal, eu ganhei quatro cervejas da tradicional cervejaria de Ribeirão Preto (a terra do chopp e da cerveja) Colorado, a saber : Colorado Cauim, Colorado Appia, Colorado Indica e Colorado Demoiselle (além de duas calderetas personalizadas).  Não costumo beber as cervejas num mesmo dia, mas aquele foi um dia atípico, daqueles que ficam marcados na memória afetiva para sempre, pois nesse dia teve War!  Sim, senhores!  War, o tradicional, cult – e, descobriria eu, desejo secreto de todo adolescente e pré adolescente que ouviu seus pais, irmãos mais velhos, primos ou tios, contarem histórias de épicos embates que varavam horas – jogo de tabuleiro de estratégia (sorte conta muito pouco).  Contarei mais sobre ao longo do post.  Vou começar falando um pouquinho da Cervejaria Colorado.

Essa cervejaria, com apenas 18 anos de vida no mercado, já é considerada tradicional porque, no mercado célere, dinâmico, lépido, selvagem e altamente mutável em que estamos inseridos (piada interna), ela foi uma das primeiras cervejarias artesanais brasileiras.  Uma das primeiras a se recusar a ficar refém do mercado de massa que as grandes corporações nos impõem e, desaguando sua vocação alquimista nas águas de nossa realidade, resolveu misturar ingredientes típicos da cultura tupiniquim nas cervejas que tanto adoramos (Isabela e Lali: se eu estiver viajando muito, por favor, me cortem!).  Os rótulos são lindos e marcantes e já te pegam pela padronização belíssima e porque são paradoxalmente diferentes entre si.  São atrativos adicionais dessa cervejaria.

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Mas vamos à nossa história: Em janeiro do corrente ano, minha sobrinha paulista, Carolina veio passear aqui no Rio acompanhada de duas amigas também paulistas (Ana Júlia e Bia) e uma de Três Rios (Mariana). Elas ficariam na casa da minha mãe, porém, eu, como tio e anfitrião, as levaria pra passear na calorenta cidade maravilhosa, só que eu não poderia em um dos dias naquela semana, dia esse no qual eu tinha combinado com a Lali de jogar War.  Para minha surpresa, as quatro ficaram animadíssimas para participar da peleja.  Mas eu não deveria ficar surpreso pois, além do War, havia a oportunidade da convivência com a prima mais velha e ídala maior das garotas, a Laís, além do que ela ia levar cookies handmade by herself e a Isabela iria fritar pasteizinhos e assar pães de queijo.  Quer coisa melhor?  Ingênuo, eu.

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A foto tá tremida pq estavam todos rindo. ;D

Você, que leu pacientemente até aqui, deve estar se perguntando quando eu vou começar a falar da cervejas.  Você vai ter que me perdoar, pois este post transcende a mera avaliação.  Tem uma história no contexto e não posso deixar de contá-la, entretanto, calma meu caro leitor!  Eu não vou explicar aqui como se joga War.  Basta dizer que no tabuleiro, pra guerra em si, ficamos eu, Lali, Carolina, Bia e Ana Júlia.  Mariana não quis participar diretamente, optando por ajudar a Carol.  João não pôde participar (ele optou por ir ao Projac com as garotas, mas essa é outra história).  Foi aí que eu abri a primeira das quatro:

A Colorado Indica

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A Indica é uma IPA (a essa altura do campeonato, você já sabe o que é, não é mesmo?) tradicional, da maneira inglesa que deveria ser (e é!), ou seja encorpada, amarga, com teor alcólico alto (no caso desta aqui, 7%), cor escura, turva, com espuma não muito cremosa e também não muito espessa.  Mas essa tem um ingrediente secreto (como o bacon nos pratos salgados): ela tem rapadura na fórmula e, na minha modesta opinião, é isso que equilibra o amargor dela com um tempero dulçorizado (essa palavra existe?), e a faz simplesmente sensacional, não devendo nada, nada às importadas.  Imputo também à esse ingrediente o cheiro leve e doce desta maravilhosa cerveja.  Lembro também que, apesar de sensacional, ela é bem forte e não é pra beber direto várias garrafas. Para saborear.

Bem, essa primeira cerveja já me deixou preparado pra detonar as meninas (ou você acha que, por serem minha filha, minha sobrinha e as amigas dela eu ia dar mole?  Se você acha isso, não me conhece! Heheheh).  Meu objetivo era conquistar a Ásia, a África e outro continente à minha escolha (ou algo muito próximo disso).  O jogo prosseguiu ferozmente, como de praxe (Jefferson que o diga! Hahahaha), e a Bia, já no começo da partida, foi quase eliminada.  Carol, apesar da ajuda da Mariana, se saía um pouco melhor e a Lali, perdia territórios atrás de territórios, porém, dando sorte na troca das cartas por exércitos, fortalecia o território do Oriente Médio.  Eu?  Eu ganhava batalhas e batalhas e conquistava mais e mais territóriosEstava voando!  Afinal, desculpe-me se não mencionei, era War II (entendedores entenderão)! Resolvi então tomar…

A Colorado Demoiselle

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Essa é Porter.  Bem escura, quase preta, também encorpada, mas bem menos que a Indica.  Leva café e o sabor dele é marcante e inconfundível.  No cheiro você já tem uma prévia do que está por vir e, bem gelada, você nem sente o teor alcoólico de 6%.  Vantagem dela sobre a Indica: dá pra beber fácil fácil mais de uma (pra quem gosta de beber grandes quantidades, é claro).  Espuma bem cremosa (condição sine qua non pra uma boa Porter, na minha opinião) e amargor na medida certa.  Recomendadíssima!

Por aí vocês viram que eu estava no auge do entusiasmo.  Carolina (e Mariana, me irritando profundamente torcendo contra mim e, perceptivelmente pra “ídala” Lali) já dava sinais de desgaste dos seus exércitos, Bia, uma mera espectadora, Ana Júlia um pouco melhor –  mas só um pouquinho – que sua amiga de São Paulo, a Gotham City brasileira.  Lali não tinha muitos territórios, porém tinham exércitos pra cara…mba.  Eu não me preocupava com ela.  Aliás, não me preocupava com nenhuma delas e, na minha modestíssima e humilde opinião o jogo já estava ganho e encerrar era só uma questão de tempo.  Meus tanques e aviões estavam pelo mundo enquanto minha infantaria passeava no tabuleiro.  Foi com esse espírito, entre pastéis, pães de queijo e cookies (eu sei, cookie com cerveja? É porque você não comeu os cookies que a Lali faz), que eu resolvi abrir…

A Colorado Cauim

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Essa é uma Pilsen (como as cervejas ditas “comerciais”), mas não uma Pilsen comum: ela é de mandioca.  Eu gosto de cervejas  de mandioca, apesar de não ser das prediletas dos auto-proclamados “bebedores“, eu aqui publico e exprimo minhas próprias opiniões.  É completamente diferente das duas anteriores.  Não é encorpada, nem forte.  Ela é mais leve, mais “aguada” (isso não é uma crítica, não me entendam mal), mas muito saborosa, amarga como deve ser, com boa espuma e dá pra beber uma atrás da outra, se você quiser.  O teor alcólico ajuda, 4,5%, porque quanto menor o teor alcoólico, mais você tem que beber pra ficar “no ponto“, se é que você me entende.  Beba.  Se você se lembra, eu já tinha bebido duas das mais fortes e então…

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Acontecia algo estranho, mas eu não dava importância.  Eu sou um veterano do War.  Apesar da Lali ser veternana também, eu sou mais velho e, ora bolas, eu sou o pai dela!  Portanto, mais experiente.  Ela acumulava exércitos no Oriente Médio, dava uns ataquezinhos diversionários só pra enganar e ficava ali, se defendendo.  Afinal, quem ia querer a bosta do Oriente Médio, quando você poderia ter o mundo inteiro e, de lambuja, destruir seus inimigos?

Então, saí pra tirar uma “água do joelho” (bebe cerveja, bebe), quando voltei eis que, pra minha profunda surpresa, Lali proclamava vitória.  O objetivo dela era exatamente “trocentos exércitos no Oriente Médio” (bom, exatamente e trocentos raramente fazem parte da mesma frase, mas me permitam dessa vez).  Perdi.  Com muito mais territórios e exércitos que meus oponentes, eu perdi.  Muito zangado (eufemismo), decidi parar, enquanto elas começavam outra partida.  Resolvi provar…

A Colorado Appia

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Uma Weiss de estilo alemão, essa cerveja clara de 5,5 % teor alcoólico (que você quase não percebe) é de trigo e mel. Tem como ser ruim? Claro que não (nota mental: não tenho resenhado muitas cervejas de mel.  Preciso corrigir isso).  Apesar disso, ela tem um cheiro de frutas, que não acompanha o sabor.  Sua cor é a mais bonita das quatro e, apesar de ser turva também, é mais dourada.  Também não é tããããõo encorpada assim e dá pra beber várias sem esforço nenhum (heheheheh).  Essa me deixou com gosto de “quero mais“, mas não sei se foi por que era a última que tinha gelada em estoque (Isabela não deixa eu beber muitas, não sei porque hehehehehe, afinal, elas me fazem tão bem, como diria Lulu Santos).

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E foi isso.  Uma tarde incrível de verão, acompanhado da minha família, das amigas da minha sobrinha, bebendo e comendo do bom e do melhor.  Pena que não venci (grrrrr), mas foi uma lição de vida, por que não?  Quem vence (e consequentemente, é feliz) nem sempre é quem tem mais territórios, posses, o melhor exército etc.  Quem vence é quem conquista seus objetivos pessoais, sejam eles dos tamanhos que forem.  E é com essa metáfora da vida que o jogo de War nos ensinou que eu fecho este texto e agradeço a Deus por tudo.  Divertimo-nos e aprendemos valiosas lições, não é Isabela e filhos ?

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P.S. da Lalí: Foi um maravilhoso dia de aprendizados, divertimentos, felicidades e lições! S2

P.S.2 da Lalí: Eu li e reli o post, e fiquei com vontade de comer pão de queijo. ¬¬  Hahahaha.

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2 thoughts on “Colorado e War!

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