Discos que marcaram minha vida – Parte 2: Bebe Le Strange, Heart

Eu fiquei louco pelo Heart após o sucesso radiofônico de “If Looks Could Kill” e comprei o LP do meu colega de faculdade, o Coutinho (que, por curiosidade, é sobrinho do falecido Cláudio Coutinho ex-técnico da Seleção Brasileira).  Fiquei mais chapado ainda e todos os dias ia à banca de LPs usados da saudosa Subsom na Tijuca, à caça de algum álbum do Heart.  Chegava a ficar angustiado.  Lembrem-se de que naquela época não havia internet e nem tínhamos à nossa disposição a quantidade de informações que temos hoje.
Pois bem, num lindo dia, eis que tava lá, me olhando a um preço convidativo o LP Little Queen.  Não pensei duas vezes e adquiri o vinil (tenho ele até hoje!).  Quando botei na vitrola, a música de abertura era, nada mais nada menos, do que “Barracuda” e o riff me fez chapar mais ainda!  Fiquei louco e mais angustiado ainda, pois eu queria mais de Heart e não sabia onde encontrar.  Não era um dos grupos mais populares entre meus amigos roqueiros (não é, Vítor Bala?) nem entre os roqueiros que eu conhecia e saí, sem sorte alguma, procurando algum LP delas nos sebos da cidade, pois os discos do Heart estavam todos fora de catálogo.
Eis que, em um belo dia, estava eu caminhando sem compromisso pela Cinelândia, provavelmente matando aula, quando resolvi passar pela rua 13 de maio (a mesma onde desabou aquele prédio), rua onde alguns vendedores de LP enfileiravam sua mercadoria, na calçada mesmo, e a vendia a preços justos.  Quando, de repente, olhei pra uma fileira (eu não estava procurando disco nenhum) e lá estava ele.
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Bebe Le Strange – Heart – SONY DSC
A capa do LP é um retrato em preto e branco das irmãs Wilson (Nancy, a loira e Ann, a morena, que são as donas da Banda) sem nada escrito. Nem o nome da Banda e nem o nome do álbum, mas eu reconheci na hora (e eu nunca tinha visto a capa do LP!).  Perguntei o preço e eu não tinha o dinheiro!  Fiquei aflito e nervoso (quando eu fico nervoso me dá dor de estômago.  Quem me conhece, sabe). Pedi pro cara guardar o LP e pedi que ele me esperasse que eu ia em casa buscar dinheiro.  O cara só faltou rir, mas falou que tudo bem (devia estar acostumado com isso).
Peguei o metrô, fui até em casa, “assaltei” minha mãe, voltei pra Cinelândia o mais rápido que pude e o disco estava lá me esperando.  Que alegria!  Foi a viagem do Centro até a Tijuca mais lerda de todos os tempos!
Quando botei na vitrola, o riff de “Bebe Le Strange“…ah!, sem palavras!  A transição, a ponte, o refrão, a letra, tudo perfeito!  Contagiante a música.  Geralmente quando acontecem essas coisas, quando você gera grandes expectativas, acaba se decepcionando mas, daquela vez, a expectativa foi superada.  A segunda música, “Down on me“, é um blues bem arrastado e não deixa a peteca cair, grande trabalho do guitarrista Howard Leese (hoje tocando com Paul Rodgers e a Bad Company), meu guitarrista favorito do Heart.  Aliás, esse é o primeiro disco sem a presença do guitarrista solo Roger Fisher, que, na opinião deste humilde escriba, não faz falta alguma.  “Silver Wheels” é uma vinheta instrumental acústica (senão não seria um disco do Heart.  As irmãs Wilson adoram isso!) que serve de introdução para a pesada e rápida “Break“.  Música pra bater cabeça no estilo de “Communication Breakdown” do Led Zeppelin (influência, aliás, que as irmãs não negam, muito pelo contrário, abraçam, já tendo re-gravado o Led Zeppelin Vol. 4 quase todo e gravado discos com John Paul Jones e Jason Bonham).  E aí vinha “Rockin’ Heaven Down“, que eu escutei tanto, mas tanto, que não sei como o disco não furou.  Essa música acabava e eu colocava de novo.  E de novo!  (É lógico que eu tô escutando ela agora, enquanto vos escrevo!)… Rock me home, rock me home, rock me home, rock me home… E a harmonia… reminiscências.
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Howard Lesse e Roger Fisher
O lado B abre com o hit do disco, “Even it up“, música bem legalzinha à qual o grupo deu um “tratamento especial”, colocando metais pra deixar mais palatável pros ouvintes de rádio.  Não é minha prefeida mas é uma boa música.  “Strange Night“, um título perfeito pra essa música em que a bateria dá o ritmo com tambores meio que tribais.  Ressaltando o trabalho de guitarra do já citado Leese e da loira Nancy Wilson, aquele contraste entre violão e guitarra elétrica característico que só Heart sabe fazer.  “Raised on you”  é a única do LP em que o vocal principal é feito pela irmã que é guitarrista, Nancy, talvez a mais fraca do disco, mas “Pilot“, a música seguinte, compensa tudo.  Baladinha despretensiosa e gostosa, cantada de um jeito bem moleque por Ann Wilson.  Simples, sensacional, como as baladinhas devem ser, e, por falar nisso, o disco encerra com o baladão “Sweet Darlin’“, marca registrada do conjunto, e fecha com chave de ouro!
Esses dias eu comentava com a Isabela que, dos meus 46 anos de vida, gastei 2 meses só escutando esse LP sem fazer mais nada.  Exagero?  Sim.  Mas um mês foi, com certeza.
Esse não é o melhor disco da banda, não foi o mais vendido e nem o que teve mais sucesso comercial, mas, é o meu preferido pelo conjunto da obra.
P.S. Muito útil e agregador: Não podemos nunca deixar de falar do Sr. Wilson, sem o qual a banda não existiria. 😀
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Ficção Científica

Sou fã. Acho que é o que dá pra dizer de mais honesto. Prefiro aquelas histórias que tratam do ser humano e das suas relações interpessoais e com a tecnologia.
Meu autor preferido, o Bom Doutor Isaac Asimov tratou da questão como ninguém – a meu ver – e tem uma longa lista de livros publicados.
Há que se dizer que o tema não é para qualquer um e que um tanto de referência a outros temas diversos pode fazer falta ao leitor comum.
Dito isso, recomendo a leitura de Nós, Robôs.   O exemplar da foto foi a Valéria quem me deu, de presente de Páscoa (ahaaa… pensou que a gente pedia só chocolate de presente, né?) e foi garimpado num sebo da Praça Tiradentes.  Obrigada, irmã!!!

Edição de 1987 - Nós temos!!! (Não empresto, não vendo, não dou)
Edição de 1987 – Nós temos!!! (Não empresto, não vendo, não dou)

Peguei uma descrição apaixonada do livro na Livraria Phylos e vou deixar aqui para aqueles que não o conhecem terem uma idéia do que estou falando:

Se há algum motivo especial pelo qual Isaac Asimov entrará para a história, é por suas teses e predições acuradas sobre a ciência da Robótica, nome, aliás, que devemos a ele.  O autor tinha, quando vivo, um amigo particular, industrial norte-americano, que se iniciou no ramo da produção de robôs industriais por inspiração de Asimov.  São de sua autoria, também, as assim chamadas “Três Leis da Robótica”, e que são aceitas como perfeitamente viáveis e aplicáveis aos robôs fabricados. 

1. Um robô não pode causa dano a um ser humano, ou, por inação, permitir que seja causado dano a um humano;

2. Um robô deve obedecer às ordens que lhe forem dadas pelos seres humanos, exceto quando tais ordens conflitarem com a Primeira Lei;

3. Um robô deve proteger sua própria existência tanto quanto esta proteção não conflitar com a Primeira ou a Segunda Lei.

Para quem conhece, este é um livro de valor inestimável.

Recomendo em quantidades absurdas.

Enjoy!

P.S. do Léo intrometendo-se em mais um post: “Não podemos esquecer o efeito linger nos cérebros positrônicos”. Dra Susan Calvin.

P.S. da Lalí: Parem de me dar spoilers pq eu ainda não lí todos os contos! ;p

As Flying Monkeys

Estávamos, a família, passeando pelo shopping de costume, quando resolvemos parar com o objetivo principal de fazermos um pequeno lanche.

Esperávamos vagar uma mesa quando notamos que, bem perto da lanchonete, havia aberto um novo quiosque de venda de cervejas que nós não conhecíamos.

Curiosos, eu, no papel de entusiasta (bebedor) e minha filha, no papel de estudiosa do assunto (pesquisadora e selecionadora), resolvemos checar o recém aberto empreendimento comercial.

Fomos bem recebidos pelo atendente que, mostrando-se solícito e, pasmem, conhecedor do assunto, entabulou uma agradável e simpática conversa com minha filha (quem me conhece sabe que não converso com qualquer um) e, após verificarmos as novidades e perguntarmos pela sempre presente em nossos pensamentos, cerveja “The Trooper” (aguardem post), voltamos à nossa meta original.

Papo vai, papo vem, de repente reparo que a Lali já não estava mais na mesa. Foi ao banheiro provavelmente?  Não, caros espectadores de texto, ela, sorrateiramente, foi ao quiosque para me presentear com três cervejas canadenses Flying Monkeys (e, de quebra, provolone desidratado, entre outros). E é sobre elas que falarei aqui.

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Flying Monkeys

A clara proposta das Flying Monkeys, corroborada pelos seus coloridos rótulos, é ser diferente (esquisita até), porém sem perder a sensação de estarmos tomando “a cerveja”. Cada cerveja que você experimenta é uma surpresa e essa aqui não foi diferente.

A Netherworld (Cascadian Dark Ale)

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Cerveja preta, com um gosto bastante pronunciado de chocolate cremoso, principalmente na espuma, porém sem perder o amargor da cerveja (ela tem 6% de teor alcólico). Estranho, não? Se essa foi a intenção da cervejaria, acertaram em cheio. Mas não é só isso, pois em cada gole no delicioso líquido parece que você acha um sabor diferente. Sei que tem um toque de várias frutas. Resumindo: excelente! Só por curiosidade: pesquisando (não muito profundamente) na internet, descobri que Cascade é o tipo de lúpulo. Não que isso importe muito na hora de beber.

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Lembra da propaganda da Parmalat? “TOMÔ?” Originalmente era “Got Milk?”. Aqui, no caso, seria “ENTORNÔ?”

A Amber Ale

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Das três que ganhei de presente, essa aqui é a mais “normal”. Não que seja normal, está longe disso (pelo nome, já identificamos que é uma pale ale), mas no sabor e no aspecto é a que mais se aproxima das cervejas de destruição em massa que tomamos nas festas, churrascos e afins que frequentamos na nossa “vida cotidiana”. Ela é a menos amarga e menos alcólica (5%). Pra mim é a mais perigosa, pois desce igual água, principalmente se você deixar bastante espuma e, se tivesse litros, não saberia parar até a Isabela ter de intervir. Muito boa a cerveja. Só por curiosidade também: é a que melhor acompanha o provolone desidratado.

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Algo como “Se você tiver de escolher entre dois males, escolha aquele que você nunca tentou antes”.

A Smashbomb Atomic Ipa

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Essa, a do nome mais maneiro que uma cerveja pode ter, foi a que mais gostei. A cor é linda, o cheiro é forte e sensacional, prenunciando uma cerveja deliciosa – e o sabor confirma todas as expectativas. Se é pra ser “weird”, é essa a cerveja que você está procurando. Bem amarga e de teor alcólico de 6%, depois que você bebe, você sente, além do sabor do álcool, o gosto de frutas cítricas (laranja? tangerina?) que, com certeza, conferem-lhe a coloração ímpar. Resumindo: Tem gosto de “quero mais”.

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Por favor, não seja tão “mente aberta” a ponto do seu cérebro cair pra fora.

Considerações finais: três cervejas excelentes, muito diferentes entre si, apesar de serem da mesma cervejaria. Esse mérito é da minha filha que soube escolher muito bem (talvez com a ajuda do cara do quiosque… brincadeira Lali!) e da minha esposa Isabela que a gerou.

Ah!, não posso me esquecer: as tampinhas vêm com frases-mensagens, no estilo “biscoito chinês da sorte” que são muito engraçadas e espirituosas.

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P.S. da Lalí que se meteu no post: Se fosse pelo cara do quiosque eu teria levado o quiosque inteiro! ¬¬