Jessica Jones: Alias (Não confundir com “aliás”!)

O título do post vai te enganar de todas as formas possíveis e por isso vou logo avisando: vou sair do assunto, vou digressionar, vou falar de outras coisas e vou ser redundante (mais do que já estou sendo).  Mas não de propósito.  Assim é o Universo Marvel concebido pelo mestre Stan Lee, tudo interligado, todos convivendo no mesmo tempo e espaço, tudo conectado e complexo (coisa que, com os diversos personagens da editora tendo seus direitos cinematográficos divididos entre alguns estúdios, não ajuda nada).
E, sim, porque não?, falarei da personagem em questão, a tal Jessica Jones do título, até porquê, depois do extraordinário primeiro fruto da parceria entre a Marvel e a Netflix, a série do Demolidor (que, olha só, está conectada ao universo cinematográfico e televisivo da Marvel Studios), esse será o próximo projeto desta promissora parceria. Você escutou alguém sussurrando no seu cérebro “Vingadores“, “Agents of SHIELD“, “Guardiões da Galáxia“, “Homem-Formiga“?  É, meu caro, pode adicionar aí um certo escalador de paredes azul e vermelho, já que a Sony e a Marvel recentemente fizeram um acordo pra introdução do Homem Aranha nesse universo), esse será o próximo seriado da promissora parceria.
Porém, não podemos falar de Jessica Jones sem falar em Brian Michael Bendis.  Guarde esse nome pois ele é o escritor de quadrinhos da Marvel mais importante há muito tempo e há motivos pra isso.  Pra você ter uma ideia da importância do sujeito, ele era parte de uma espécie de “seleto conselho de consultores“, por falta de uma expressão melhor, a quem todos os diretores e roteiristas cinematográficos tinham que consultar antes do filme ser editado e lançado ou mesmo até do roteiro ser aprovado.  Esse “conselho” foi extinto bem recentemente e mandava prender e soltar na Marvel Studios.  Cortavam cenas, acrescentavam, reescreviam e eram responsáveis pela famosa “cronologia” (a continuidade) do Universo Marvel.  Quem é fã da Marvel (no tempo em que comecei a ler, Marvete) sabe que isso é sagrado e que com isso não se brinca.  Mas isso causou muitos atritos com atores e diretores dos filmes e, como já disse, foi extinto.  Eu avisei que ia digressionar.  Brian Michael Bendis era o único roteirista de quadrinhos exclusivo da Marvel a fazer parte desse “conselho”.  Tá bom pra você?
Bendis destacou-se na Image Comics com a sua criação “Powers“, que recentemente virou seriado também (muito bom), aliás, o encadernado “Quem matou a Garota Retrô?“, lançado pela Panini, é uma leitura deliciosa. Ele foi pra Marvel e fez logo um sucesso danado reescrevendo a origem do Homem Aranha na linha Ultimate (uma linha não pertencente ao Universo Marvel Tradicional, que tinha como mote o reinício do Universo Marvel em outra linha temporal. Entendeu, né?).  No Universo Tradicional, fez sucesso escrevendo o Demolidor, que teve sua identidade revelada.  Ganhou moral com o sucesso desse título e, junto com seus superiores, bolou um selo para histórias adultas para a Marvel, nos moldes do selo Vertigo da DC.  A diferença era que as histórias desses títulos eram inseridas no Universo Tradicional e essa foi a grande sacada.  E foi nesse contexto que surgiu Alias (como foi batizada a revista da Jessica Jones).
Eu tô tentando ser concisoSério.  Mas vamos lá… Falei que o título era direcionado para o público adulto, não?  Pois é, as primeiras três palavras da série são palavrões cabeludos e tem a famosa cena de, digamos assim, pra usar um eufemismo bem leve, sexo não tradicional (não precisa botar link, Lali! Rsrsrsr) entre ela e o Luke Cage. Mas estou me adiantando.
Jessica Jones é personagem inserida retroativamente na continuidade, o que chamamos de “retcon“.  Explico.  É uma personagem criada nos anos 2000 mas é como se ela existisse desde o começo.  Entendeu?  Eu sempre entendo.  É uma mulher (dããããã) que tem superpoderes, porém limitadíssimos.  Digamos que ela é mais forte que o normal e, supostamente, pode voar, mas isso é tão instável que ela não se arrisca.  Ela tentou vestir uma fantasia e ser uma Super Heroína (Safira) por um certo período (o que garantiu seu “trânsito” entre a comunidade superheroística, se é que essa palavra existe) mas ela sacou que não era pra ela e então ela se torna uma detetive particular (funda a “empresa” “Codinome Investigações” da qual é dona e única funcionária), fumante e beberrona inveterada e com baixíssima autoestima.  Até aí nada de original, mas o que foi brilhante, foi a inserção de uma personagem dessa, do cotidiano, alguém como alguém que você conhece ou já conheceu, num Universo em que os Super Heróis são coisas comuns.

Isso por si só já seria um diferencial que separa esse título das histórias grandiosas de Super Heróis, com seus monstros, alienígenas e super vilões que querem dominar o mundo, mas em duas coisas é que Bendis demonstra todo o seu brilhantismo: a primeira é o seu conhecimento da intrincadíssima cronologia Marvel e a segunda são os diálogos.  Ah, os diálogos!  São sensacionais no nível Kevin Smith e tornaram-se a característica mais marcante desse sensacional escritor.  A sexta edição, se não me engano, começa com um diálogo entre Jessica e Carol Danvers (a Miss Marvel, dos Vingadores) que é hilário, uma espécie de “fofoca” sobre alguns personagens conhecidos, mas principalmente do supra citado Luke Cage (curiosidade: o ator Nicholas Cage, que é sobrinho de Francis Ford Coppola, adotou seu nome artístico por que é superfã do personagem).  Um dos poucos Super Heróis negros da época, Luke Cage e seu parceiro, o Punho de Ferro, eram chamados de “Heróis de Aluguel” e esse era o nome da firma junto com Misty Knight, ciborgue e namorada do Luke, e com Colleen Wing, detetive e lutadora de artes marciais, namorada do Punho de Ferro.  Aliás Colleen foi namorada de Scott Summers, o Ciclope dos X-Men em um período que Jean Grey estava desaparecida.  (Não falei que era conectado e complicado?).  Enfim, o diálogo dura umas seis páginas e só você lendo pra ver.
E esses diálogos favorecem muito o desenhista.  Michael Gaydos não faz parte dos meus desenhistas favoritos mas reconheço que ele não faz feio.  Porém é o cara perfeito pra série.  Ele é um desenhista “preguiçoso”, então esses diálogos são a ocasião perfeita pra ele repetir os desenhos e até quadros inteiros.  Há algumas sequências em que ele simplesmente aumenta os desenhos de tamanho sob o pretexto de dar “ênfase” a uma cena específica.  É um cara de pau mas funciona muito bem.  Os outros desenhistas da Marvel que ganham por páginas desenhadas devem ficar putos com ele.  Ouso dizer que, sem ele, Alias, não seria a mesma.  Aproveitando que estou falando do quesito arte, as capas são de David Mack e são maravilhosas.  Elas deram identidade à série.
As histórias podem ser lidas por quem não tem conhecimento prévio do Universo Marvel, porém são um deleite pra quem é fã.  Por exemplo, tem uma história em que Jessica é presa e Luke Cage (Ele de novo. Não se preocupe, eles se casam no fim da série) pede que Matt Murdock (Ah, você sabe quem ele é, não sabe ?) seja o advogado dela e quando ele se apresenta, pergunta pra ela se ela é inocente.  Após a resposta (positiva) fica uns quatro quadros iguais do Matt olhando pra ela.  Os entendedores sacarão que Murdock está ouvindo as batidas do coração dela pra descobrir (eu cheguei a digitar “ver”) se ela está mentindo.  Outros momentos imperdíveis: quando ela se finge de homem em um bate papo na internet e marca um encontro com um gay em um bar, como parte de um disfarce em um dos seus casos.  Mais uma vez, os diálogos são impagáveis!  Quem já participou desse tipo de bate-papo (UOL que o diga! Rsrsrsrs) sabe do que estou falando.  E também a história em que J.J. Jameson a contrata pra descobrir a identidade secreta do Homem Aranha. Leia.
Brian Bendis não é um escritor genial nem original, mas ele é mestre.  Seu mérito é pegar conceitos antigos, argumentos mal aproveitados e histórias mal contadas e além de requentá-las, tornar-lás algo muito mais saboroso, pra fazer uma analogia com um dos assuntos preferidos deste blog, que é a culinária.  E, nas devidas proporções, é o que o cinema está fazendo hoje com nossos heróis prediletos. Nós, que crescemos lendo os quadrinhos, consideramos essa a “cronologia” correta, mas esquecemos que o cinema atinge muito mais pessoas e, se você perguntar a elas, elas dirão que isso é que é o correto.  Mas esse é outro assunto, para quem sabe, um outro post.
P.S. da Lalí: Link Bônus (pq eu achei fofo).
P.S. da Lalí 2:  In fact, tenho vários colegas que assistem e gostam muito dos filmes de super heróis mas nunca nem folhearam uma revista nem conhecem as personagens e suas interações.
P.S. da Lalí 3: DeadPool é o superpoderoso mais “gente-como-a-gente” que eu conheço!  Ele frequenta os mesmos eventos que eu e eu já o ví fazendo cosplay de Lampião, ficou ótimo, acho que a fantasia foi feita à mão.

Senhores, que tempos estamos vivendo! Senhores.

E eu digo isso, senhores, com uma empolgação genuína a qual tentei passar quando escrevi o título desta missiva.  Sim, senhores, é o melhor tempo pra se viver o que estamos vivendo e não falo isso, pelo menos aqui nesse texto, dos aspectos pessoais da minha vida (aproveito pra digressionar: também é o melhor tempo da minha vida pessoal.  Vivo feliz.  Todos temos o hábito de achar que o tempo passado “é que era bom”.  Vejo alguns dizendo : “na nossa época, quando não tinha computador… ” Besteira!  No meu caso, que vivia em Nereste, era muito chato, o tempo não passava.  Lógico que tenho saudades do lugar e das pessoas que conheci, mas nada que duas horas por ano não resolva.  Tudo que eu passei, fui e vivi foram importantes mas… chega de digressão, tá virando filosofia).
Eu falo isso por causa dos filmes e séries de televisão que temos assistido.  São tantos que não damos conta de tudo que queremos assistir.  Pra um cara como eu que cresceu lendo (e nunca parou de ler) quadrinhos de Super Heróis, livros de ficção e fantasia, livros de guerra etc. (isso porque estou deixando a música de fora, porque senão seria covardia), é como soltar uma criança numa loja de brinquedos com a condição de ela poder pegar o que quiser.
Quando você lê, principalmente histórias em quadrinhos, você imagina aquilo como um filme, você quer ver aquilo na telona, que é o mais real que o seu personagem pode se tornar, em suma, você quer vê-lo “ganhar vida“.  Só que, quando eu era adolescente, não havia tantos filmes de super heróis por aí e os que existiam, eram toscos demais!  Em conversas na internet por aí (com pares nerds fãs de quadrinhos, um dos tipos de fãs mais chatos de que se tem notícia) vi muita gente, diante da enxurrada de filmes baseados em HQs (algumas que nem sabíamos que existiam!) fazendo sucesso estrondoso, perguntando por que eles não viram isso antes.  Por que o cinema demorou a descobrir esse lucrativo filão? Eu tenho a resposta: foi a evolução da tecnologia, e em consequência disso, a evolução dos efeitos especiais (tão necessários para se fazer um filme com personagens que podem correr mais rápido que a velocidade da luz).
Vocês, senhores, conseguem perceber isso?  Conseguem imaginar o tempo que vivemos?  Vocês tem noção, meus caros, que os livros de história registrarão este tempo, o nosso tempo, como uma era de evolução rápida, célere, selvagem?  Não?  Pois deviam.  Parafraseando um jargão quadrinhístico, é uma era de ouro!
No fundo eu já sabia disso.  No íntimo do meu ser eu já concordava, porém, foi no seriado do Flash que eu me toquei, que a empolgação tomou conta de mim.  Foi no episódio em que apareceu pela primeira vez o Gorila GroddFantástico, espetacular!  Aliás, The Flash é a melhor série de super herói que temos, e olha que temos séries muito boas.  Quando os filmes e as séries de heróis começaram a surgir, uma das reclamações dos fanáticos por quadrinhos era de que a adaptação não era fiel.  Ora, é muito mais do que isso!  As séries pegam anos (décadas) de cronologia do personagem, tiram o que é ruim e condensam o que é bom em uma linha narrativa coerente e muito mais saborosa!  E é exatamente isso que o seriado do Flash faz com maestria: pega o conceito do multiverso, que a própria DC havia descartado e abolido com  a “Crise nas Infinitas Terras” (há uma referência a isso no seriado que é um deleite pros fãs!) e reinventa, criando, desculpem o trocadilho, infinitas possibilidades! (Esse conceito de multiverso, pra quem quer saber, explicará os dois “Esquadrões Suicidas“).  E há mais.  Elas fazem sucesso também com quem não tinha familiaridade com as histórias em quadrinhos. Elas agradam a esse público (o que é fundamental!), mas pra quem é fã, as pistas, os  “easter eggs” que eles põem nos episódios dá um sabor a mais.  Eu vibro igual a um gol quando reconheço um personagem ou quando descubro algo “escondido” (uma coisa boba, mas que me diverte muito, são o logradouros das cidades terem os nomes de argumentistas e desenhistas que deixaram sua marca nos personagens, ponto pros roteiristas das séries!).
A série do Flash é tão boa, que salvou outra série, a do Arqueiro Verde (Arrow), que vinha modorrenta demais, repetitiva, porém os “crossovers” (outro jargão quadrinhístico, que significa quando um personagem “aparece” na revista ou série do outro) com o Corredor Escarlate a tornaram muito mais legal, incentivando os roteiristas do Arqueiro a se superarem.
Esses “crossovers” fizeram tanto sucesso, que os persongens que apareceram nas duas séries e que fizeram enorme sucesso (Como o Élektron, por exemplo. Aliás, Élektron pra quem lia quadrinhos, e Átomo pra quem via os desenhos da Liga da Justiça) ganharão uma nova série.  Canário Negro, Nuclear e outros também aparecerão (aguardando ansiosamente pela versão Lanterna Verde de Guy Gardner!).
E o que falar de Marvel Agents Of SHIELD, onde está tudo conectado?  Aguardem o próximo texto, senhores, no qual falarei também, entre outras coisas, de Heroes, Powers e muito mais!
P.S.: Estou ansiosa para o próximo post!
P.S.2: A pessoa quem escreve o post não é a mesma pessoa quem edita os links. =’.’=

P.S. 3: É a Lali quem edita os links ! Sugiro que você clique nos links. São muito melhores que o texto ! Rsrsrsrsrs

Demolidor – Por Frank Miller e Klaus Janson – Volume 1

Nem só de cerveja vive o homem e, por esse motivo, ganho outros tipos de presentes também.  Nesse caso específico, este encadernado da Editora Panini, cujo título é o mesmo que dá nome a este humilde post. Ou seja, um homem vive de cerveja e quadrinhos!
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Este encadernado (Encadernado: a reunião de vários números de uma revista, série, ou minissérie, publicados em capítulos e que foram reunidos em um único volume) veio bem a calhar por conta da série televisiva de imenso sucesso que saiu pouco tempo pela Netflix.  Vários amigos meus que não leem quadrinhos vem me procurar pra comentar a série, então esta é uma boa oportunidade pra falar um pouco sobre essa edição em especial, pois ela é um marco.
Explico: foram essas histórias que fizeram a transição da mídia “Quadrinhos” de leitura para crianças para um público mais maduro (alguns gostam de citar o Arqueiro Verde/Lanterna Verde de Dennis O’Neil e Neal Adams, mas eu discordo).  Seu principal autor,  Frank Miller, primeiramente como desenhista e, mais importante ainda, como roteirista, viria se tornar um criador respeitado por ter escrito obras seminais como “Batman: O Cavaleiro das Trevas“, “Ronin” e “Sin City“, entre outras, e rompido a barreira dos quadrinhos emprestando seu talento a outras formas de arte.  Ah, e também vários elementos dessas tramas foram usados na série televisiva.
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Essa edição caprichada da Panini (capa dura, papel de alta qualidade, 340 páginas) reúne histórias que primeiramente foram publicadas de forma serializada na extinta revista “Superaventuras Marvel” da Editora Abril (que foi onde as li primeiramente, praticamente quando iniciei nos quadrinhos) e depois foram republicadas de modo mais modesto pela própria Panini há algum tempo atrás.  Oportuno dizer que o encadernado tem em sua vantagem a sua desvantagem.  A vantagem é que dá pra ler tudo de uma vez só.  A desvantagem é que você perde a expectativa gerada pela publicação de um novo número.  Lembro muito bem de eu ir diariamente na banca de jornal, ver se a edição seguinte já estava disponível.  Reler estas histórias me trouxe de volta uma nostalgia bem legal, trazendo à superfície das minhas memórias várias lembranças.
Não vou me demorar resenhando as histórias e vou me concentrar nos aspectos mais importantes das mesmas, numa tentativa de emular o que fez a Lali genialmente quando resenhou aqui mesmo neste blog Um estudo em Vermelho de Sir Arthur Conan Doyle.
As duas primeiras histórias são mais um bônus da edição, visto que são histórias do Homem-Aranha (Homarrrranha!), com participação do Demolidor, que foram desenhadas por Frank Miller (mas não finalizadas por Kalus Janson) que atuou como desenhista convidado nas edições (desenhista convidado é como eles chamam os desenhistas tapa-buraco das edições mensais – isso acontece quando o desenhista principal atrasa a entrega dos desenhos).
Devido à (boa) repercussão dessas duas edições, Frank Miller foi escalado pra ser desenhista regular da série do Demolidor.  Naquela época, a revista não estava com boas vendas e corria o risco de ser cancelada.  Miller, então um novato, juntou-se à equipe criativa, ou o que restava dela, que eram o roteirista Roger McKenzie e a outra estrela desse encadernado, o arte-finalista Klaus Janson (que iria consagrar-se, junto a Miller em “O Cavaleiro das Trevas”).
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No decorrer da leitura das histórias você vai percebendo a evolução qualitativa na trama.  Miller, não se contentando apenas em desenhar, começa a dar pitacos no roteiro até assumir a revista, roteirizando ele mesmo.  Como curiosidade, Miller vai se aproveitando de seu conhecimento do Universo Marvel (de sua paixão, pode ser?) e inserindo personagens da editora ao seu bel prazer.  Traz de volta sua namorada (do Demolidor), a Viúva-Negra (você sabia disso?), usa e abusa dos vilões do Homem-Aranha (aliás, um desses vilões, Wilson Fisk, O Rei do Crime, tornaria-se sua maior Nêmese, mais adiante na mãos do próprio Miller, na saga “A Queda de Murdock“, mas isso é outra história), dá um incremento na vida “civil” do Demolidor, inserindo e dando destaque a novos personagens na vida de Matt Murdock (a identidade secreta de nosso herói) e seu sócio da firma de advocacia, Franklin Nelson.  Também há uma luta do Demolidor com o Hulk!
Não vou dizer mais nada!
Mas o mais importante nessa edição é a criação de um personagem que se tornou um ícone: Elektra Natchios, a Elektra Assassina.  Nela, Frank Miller superou-se (e aproveitou pra inserir elementos japoneses na história, coisa de que ele é fã).  Teve até filme dela.  Sua relação com o Mercenário é digna de nota.  É o que precisam saber.  A criação desse personagem complexo foi a declaração de amor à mídia que, até hoje, é vista com um certo preconceito (mesmo com o advento de Sandman, de Neil Gaiman): a do fã de quadrinhos que virou o criador de quadrinhos.

Guioza experience – Questão de prática

Eu gosto muito de culinária oriental e qual eu não gosto? . Dos pratos quentes, um dos meus favoritos é o Guioza.
Tipicamente chinês, o jiaozi foi difundido no Japão pelos soldados que lutaram na Manchúria, na Segunda Guerra Mundial. O guioza – ou gyoza – ganhou o mercado culinário no pós-guerra japonês devido à devastação do país, a escassez de arroz, a facilidade de obtenção da farinha de trigo e o fato de que quase qualquer alimento poderia servir como recheio, desta forma o Guioza foi (e é, até hoje) utilizado como meio de subsistência de inúmeras famílias japonesas. Por isso, apesar da origem chinesa, podemos encontrar o guioza na maioria dos restaurantes japoneses por aí.

Tentei fazer guioza três vezes na vida.  A primeira ficou, como direi, marromenos.  Dava pra comer, tinha um sabor até agradável, mas não era, nem de longe, guioza.  A segunda ficou incomível, nem comentarei.  Finalmente, na terceira, após muito pesquisar e adaptar as receitas que eu tinha, ficou bem parecido com o guioza que eu como em restaurantes.  E é esta receita que colocarei aqui.

Então descobri, após essa terceira tentativa, que fazer o guioza bem gostoso, com a massa fininha, do jeitinho que é vendido, é unicamente questão de prática.  Como eu não tenho prática, continuarei fazendo para que eu vá melhorando sempre, e, quando me der por satisfeita no quesito “isso parece mesmo um guioza” eu volto pra contar.  Mas, vamos nos ater à receita que deu certo!

Comecei com a receita da Mari Hirata, retirada do livro As Minhas Receitas Japonesas – O Pequeno Prazer ao alcance de todos.

As minhas receitas japonesas - O pequeno prazer ao alcance de todos.
As minhas receitas japonesas – O pequeno prazer ao alcance de todos.

No livro ela ensina a receita, mas não a técnica.  Então fui pesquisando em vídeos no youtube e receitas mais detalhadas em blogs e sites.  Junta daqui, adapta dalí, aperta, descansa, estica, recheia… saiu assim:

 

Ingredientes da Massa:

400g de farinha de trigo

300ml de água morna (não fervendo)

1 col. café de sal

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Vai misturando a massa com as mãos, colocando a água aos poucos.  Dependendo do clima, da temperatura ambiente e da qualidade da farinha, usa-se mais ou menos água.  Basta que a massa fique homogênea e desgrude das mãos.  Feito isso, coloque em um recipiente para descansar por 30 minutos, e cubra com um pano de prato úmido, para que a massa não resseque.

Enquanto esperamos, vamos ao recheio.  Você pode fazer o recheio da forma que preferir, e existem sugestões bem interessantes pela internet, mas eu fiz dessa forma:

Ingredientes do Recheio:

300g de carne de porco (utilizei lombinho)

200g de repolho verde

1 dente de alho

Cebolinha e sal à gosto

Coloquei também 2 col. café de Óleo de Gergelim Torrado, mas não é obrigatório (como nada na receita, com exceção da massa)

 

Eu coloquei tudo no processador e bati, mas aconselho a fazer isso somente com a carne, o sal e o alho.  A cebolinha e o repolho devem ser cortadinhos bem fininhos e misturados ao recheio, dá mais trabalho, mas fica mais saboroso.

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Nesse meio tempo, veja se a massa dobrou de tamanho, se já passou o tempo certo.  Se sim, é hora de abrir.  E é aí que começa a dificuldade!

Há cerca de um semana eu assisti ao programa do Rodrigo Hilbert, Tempero de Família, onde era ensinado uma forma de abrir a massa bem mais facilmente, além de várias dicas, mas a receita do guioza é diferente desta aqui.  Vou ensinar como fiz à época, porém com a ajuda do vídeo acho que fica bem menos assustador…

Numa superfície reta e limpa, jogue um pouquinho de farinha (para a massa não grudar).  Divida a massa em 6 partes e abra a primeira com um rolo de macarrão o mais fininho que você conseguir.  A massa é bem elástica, então pede um bocado de força de vontade.  Eu abri até ficar semitransparente.  Então fui cortando com uma caneca, para ficarem em rodelas do mesmo tamanho.

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Achei mais prático abrir toda a massa e depois ir recheando uma a uma, mas, para tal, você deve enfarinhar cada rodelinha antes de cortar a próxima, se não gruda tudo, fica um melequê, e você vai ter de fazer tudo de novo.

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Após as rodelinhas abertas, coloque um punhado (uma bolinha) do recheio no meio da massa e feche as bordas, grudando primeiro o meiozinho com água e depois fazendo as dobrinhas.  É trabalhoso, mas fica bonitinho. 🙂

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Em uma frigideira funda, ou panela antiaderente, coloque um fio de azeite para aquecer.  Coloque os guiozas que couberem (mais trabalho…) com a “bundinha” pra baixo e a pontinha pra cima, e espere dourar.  Depois de dourar, coloque meia xícara de água quente e tampe imediatamente para que comece a cozinhar a massa.  Essa etapa pode ser repetida três vezes ou mais, dependendo da necessidade do cozimento.

Aí, depois dessa trabalheira toda, está pronto!  Sirva com um molho composto feito em casa!

-3 col. chá de Shoyu

-1/2 col. chá de óleo de gergelim torrado

-1/2 col. chá de gengibre ralado, ou gengibre em pó

-Cebolinha picadinha à gosto

 

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Agora você senta, descansa e come!

P.S. do pai :Não sobrou nem pro pai experimentar ! Rsrsrsrsrs

Um Estudo em Vermelho – Minha Breve experiência com Sir Arthur Conan Doyle

Meus pais conhecem toda a obra do médico e escritor, Sir Arthur Conan Doyle, no que diz respeito a Sherlock Holmes.  Desde sua primeira aparição, em novembro de 1887, na Beeton’s Christmas Annual, no romance A Study in Scarlet.  Eu, particularmente, tendo a gostar de tudo o que eu assisto que tem como referência, base ou inspiração a personagem de Sherlock.

Assisti a todos os episódios de todas as temporadas de House, M.D., com o maravilhoso Hugh Laurie como Gregory House Everybody Lies!, um personagem abertamente inspirado no Sherlock de Conan Doyle.  Gosto muito da série Elementary, que ambienta um Sherlock Holmes (Jonny Lee Miller) em reabilitação, na segunda década dos anos 2000, com Dr. Watson como seu parceiro de reabilitação e, posteriormente, parceiro de descobertas.  Uma coisa que eu gosto muito na série é o fato de Watson ser Joan, uma mulher, e asiática, a talentosa Lucy Liu.  A série MONK, um pouco mais cômica, também teve seu personagem principal, Adrian Monk (Tony Shalhoub), baseado em Sherlock Holmes, utilizando amplamente a observação e a ciência da dedução em seus casos, o personagem também sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo, e tem horror a sujeira.  Até que eu achava a série divertida.  Assiti, também, aos recentes filmes com o Robert Downey Jr., Sherlock Holmes e Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, parece que o terceiro filme da franquia sairá ainda em 2015.

Existem ainda as séries As Aventuras de Sherlock Holmes, que foi ao ar de 1984 a 1994, e Sherlock, lançada em 2010.  Essas eu não assisti, bem como não assisti nenhum dos filmes que foram lançados entre 1939 e 1946 sobre o Detetive Consultor.  Pra finalizar, na minha opinião, as séries The Mentalist e Psych também beberam da fonte de Sir Arthur, porém, por gosto pessoal, eu não assisti a nenhuma das duas.

Mas não é sobre as filmagens sobre o personagem que venho falar.  É sobre o fato de ter crescido rodeada de Sherlock por todos os lados, tal qual uma ilha, graças aos meus pais, e nunca, nesses 26 anos, ter lido nenhum livro sobre o detetive. Como pode isso?? Ultraje! Sacrilégio!

Então, num dia de carnaval, de cama, peguei ele, o primeiro, o prólogo, o início de tudo… peguei sem nenhuma pretensão Um Estudo em Vermelho da estante.  Deixei de lado o livro que estou lendo por um minuto, e escolhi aleatoriamente Conan Doyle para passar o tempo.  Só que o tempo não passou, foi passado.  Quando eu comecei a absorver os relatos do Dr. Watson, não consegui parar, e foi página após página e eu li o livro todo num gole só.  Simplesmente fui incapaz de soltar a obra sem saber como haviam se desenrolado os acontecimentos.  Essa foi a minha breve experiência com Sir Arthur Conan Doyle.

 

Agora, sobre a história em si, posso dizer que é inebriante, apaixonante, cativante… o enredo vai te carregando para um frio no meio das ruas soturnas de Londres, em meio à escuridão, à neblina e ao crime.  As pegadas, o sangue, a aliança… tudo te envolve de tal forma que, acredito que apenas tendo a experiência de consumir esse romance de uma vez só é que se pode ter noção do espetáculo que é.

 

Minha indicação: Leia!

Ficção Científica

Sou fã. Acho que é o que dá pra dizer de mais honesto. Prefiro aquelas histórias que tratam do ser humano e das suas relações interpessoais e com a tecnologia.
Meu autor preferido, o Bom Doutor Isaac Asimov tratou da questão como ninguém – a meu ver – e tem uma longa lista de livros publicados.
Há que se dizer que o tema não é para qualquer um e que um tanto de referência a outros temas diversos pode fazer falta ao leitor comum.
Dito isso, recomendo a leitura de Nós, Robôs.   O exemplar da foto foi a Valéria quem me deu, de presente de Páscoa (ahaaa… pensou que a gente pedia só chocolate de presente, né?) e foi garimpado num sebo da Praça Tiradentes.  Obrigada, irmã!!!

Edição de 1987 - Nós temos!!! (Não empresto, não vendo, não dou)
Edição de 1987 – Nós temos!!! (Não empresto, não vendo, não dou)

Peguei uma descrição apaixonada do livro na Livraria Phylos e vou deixar aqui para aqueles que não o conhecem terem uma idéia do que estou falando:

Se há algum motivo especial pelo qual Isaac Asimov entrará para a história, é por suas teses e predições acuradas sobre a ciência da Robótica, nome, aliás, que devemos a ele.  O autor tinha, quando vivo, um amigo particular, industrial norte-americano, que se iniciou no ramo da produção de robôs industriais por inspiração de Asimov.  São de sua autoria, também, as assim chamadas “Três Leis da Robótica”, e que são aceitas como perfeitamente viáveis e aplicáveis aos robôs fabricados. 

1. Um robô não pode causa dano a um ser humano, ou, por inação, permitir que seja causado dano a um humano;

2. Um robô deve obedecer às ordens que lhe forem dadas pelos seres humanos, exceto quando tais ordens conflitarem com a Primeira Lei;

3. Um robô deve proteger sua própria existência tanto quanto esta proteção não conflitar com a Primeira ou a Segunda Lei.

Para quem conhece, este é um livro de valor inestimável.

Recomendo em quantidades absurdas.

Enjoy!

P.S. do Léo intrometendo-se em mais um post: “Não podemos esquecer o efeito linger nos cérebros positrônicos”. Dra Susan Calvin.

P.S. da Lalí: Parem de me dar spoilers pq eu ainda não lí todos os contos! ;p

I Hope Neil Young Will Remember…

Tenho lido ultimamente várias biografias e autobiografias de bandas ou astros de, principalmente, rock and roll. Vejo muitas discussões por aí, principalmente na internet, sobre qual é a melhor, se autobiografias ou biografias. Uns defendendo ferrenhamente uma e outros alardeando as vantagens de outra.
Particularmente, eu acho que cada tipo de narrativa tem suas vantagens e desvantagens, como por exemplo, no caso das autobiografias, o escritor contar a história do seu (dele) ponto de vista e por isso ser muito mais fiel à verdade. A desvantagem, neste caso, é que a pessoa conta a “sua” (dela) versão da história, muitas vezes justificando seus erros sem a chance de réplica. Outra desvantagem bem grande também é que, geralmente, o escritor, na maior parte da sua vida (pelo menos na parte mais interessante), estava sob efeito de drogas. Mas isso também pode ser uma vantagem já que produz relatos por vezes engraçadíssimos. Mas estou digressionando. Já nas biografias as vantagens e desvantagens são, em sua maioria, inversamente análogas.
 Ou seja, esse blá, blá, blá, serviu pra dizer que um bom livro depende de um bom escritor e Neil Young revela-se um mestre.
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Young revela-se um velho chato, ranzinza, implicante e de mudanças súbitas de humor (será que eu me idetifiquei, Bela e Lali ? Rsrsrsrs) e isso gera as melhores histórias.
Parece que ele quer falar dos assuntos que o interessam e ele fala disso muito: seu tocador de música digital de alta qualidade (O Pono, aproveitando para isso, cutucar de leve o itunes e, por conseguinte, a apple), seus hobbies de ferromodelismo, sua coleção de carros e seu projeto de um Cadillac movido à eletricidade que ele chama de Lincvolt. Você vai ler muito sobre isso nas 400 páginas do livro e uma hora vai encher teu saco. Mas vai amar. Ele também fala do que você quer saber, ou seja, de sua trajetória no Rock and Roll, das histórias sobre sua longeva carreira, de sua Les Paul preta (que ele chama de old black), das imitações de Jimmy Fallon e de seu equipamento de palco entre outras coisas.
Mas eu digressionei no início do texto e eu mesmo me acusei, você lembra?  Você não viu nada!  Neil é a digressão em pessoa.  O livro não é linear cronologicamente e, se você é daqueles que só leem 10 páginas por dia, vai se atrapalhar um pouco.  O que me pareceu é que, ao entregar as páginas na editora, o editor ligasse pra ele furioso e:
– Mas Neil, e o Buffalo Springfield ?
– Porra, cara ! Eu tenho MESMO que escrever sobre isso ?
Mas leia. Eu recomendo. Você se emocionará com as histórias sobre seus dois filhos com paralisia cerebral (um de cada esposa!), com a cura de sua poliomielite e, quem sabe, se identificará com suas relações familiares e com sua juventude em um pequena cidade do interior.  História de vida pra tirar nossa próprias lições e conclusões.
Algumas frases:
– “A vida é um sanduíche de merda. Coma ou morra de fome.”
– “Seja excelente ou suma daqui !”

Filmes, séries, programas, livros etc

Vou tentar neste espaço acompanhar nosso consumo de filmes, séries, programas, livros e outros.  Não será tarefa fácil, mas prometo me esforçar ao máximo e não escrever abobrinhas, até porque as abobrinhas ficam pra seção culinário-gastronômica.

Esta seção não pretende seguir tempo cronológico de lançamento, mas oferecer nossas impressões sobre o material que saboreamos… ops… que curtimos nas horas vagas.

Enjoy!