O Angra: A Cerveja Angels Cry

O Angra é uma banda de Heavy Metal sensacional, com músicos excepcionais e proficientes em seus seus instrumentos.  É melhor do que 80% (no mínimo) das bandas do estilo e isso não é pouco, pois é uma banda brasileira (e o nosso combalido país não é uma nação “roqueira”, por assim dizer).
Dito isso, tenho que Confessori (Ahahahah, não consegui resistir) que não sou lá muito fã da música da banda, à exceção de algumas poucas canções.  Esse disco, o Angels Cry, é o de estréia da banda e, nele, há o incontestável clássicoCarry On”  que é, desculpe a redundância, uma música sensacional.  Porém algumas coisas me incomodam nesse primeiro trabalho e vou citar algumas delas: as letras do André Matos sofrem de falta de imaginação e da falta de rimas, o que prejudica, na minha modesta opinião, as melodias complexas, porém agradáveis.  Tanto é que a melhor letra do álbum é “Stand Away“, escrita pelo guitarrista Rafael Bittencourt.  Outra coisa que vale a pena citar é o excesso de teclados, e, quando eles dão as caras, são extremamente maçantes, exagerados, com uma sonoridade popanos 80” que não combina com o som do grupo.  O cover de Wuthering Heights da Kate Bush fica aquém do original (que é inatingível) e desnecessário.
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Mas vamos falar da cerveja que é o que interessa!  Essa foi o Jefferson quem me deu e o mínimo que posso dizer é que foi uma excelente escolha e combinou muito bem com o Sanduíche Empingao e as batatas rústicas que a Isabela fez pra acompanharShowzaço de bola!
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Angels Cry com Empingao e Batatas Fritas
É uma Red Ale, de alta fermentação, com teor alcólico de 6,5%, de cor avermelhada (dãããããã).  Ela é bem forte mas desce bem pra caramba, é encorpada e tem bastante espuma, a qual é bem cremosa e agradável.  Ela é adocicada e é equilibrada com o amargor que qualquer cerveja tem (e deve ter, lógico).
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Não é para ser bebida geladíssima e é, como as Bock (que são Lagers, Henrique Lagers), ideal para beber em dias frios.  Porém, como no Rio de Janeiro, cidade onde moro, não existe dia frio há pelo cinco anos, eu a bebi em um dia menos calorento e harmonizou, como eu disse anteriormente, legal legal com o Empingao (não resisto às rimas, ao contrário do André Matos).
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Bom, aproveitem pois vale muito a pena.  E dêem uma chance ao CD também, pode ser que vocês gostemDave Mustaine gostou e chamou o Kiko Loureiro pra ensiná-lo a tocar guitarra lá no Megadeth.
P.S. da Lalí¹: Eu gosto de Wuthering Heights do Angra, e de Carry On, e de Stand Away. 🙂
P.S. da Lalí²: Eu não sei como categorizar este post: seria uma resenha de disco, ou uma resenha de cerveja?  Heheheh!

Are you going to the party? A Brooklyn East India Pale Ale

Mais um texto derivado da noite de insônia e o título dele faz referência à música da Sensational Alex Harvey Band (ou simplesmente SAHB),  “Boston Tea Party“.  O correto seria eu fazer uma ligação entre a cerveja sobre a qual irei falar (escrever?) mais adiante, mas, na verdade, essa ligação não existe.  Na verdade, estou escrevendo esse texto escutando a música produzida pelo sensacional (ahahahaha, gostaram do trocadilho?) quinteto escocês.  Aliás, que guitarrista estupendo (estupendo não! Estupendos somos nós, e não fomos nós que falamos!), que guitarrista sensacional (desculpem, não resisti) é o subestimado palhaço (literalmente vestido de) Zal CleminsonCadaca Baluco!  Digressionei, viajei…
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Esta é uma IPA (neste estágio deste blog, certamente você sabe o que é uma IPA), produzida pela estadunidense cervejaria Brooklyn.  Mas a Brooklyn East India não faz feio de maneira nenhuma!  É uma IPA de verdade.  Tem uma espuma média e a coloração dela é de um amarelo âmbar tendendo ao vermelho.  Seu teor alcoólico é de 6,8%, mas ela é bem encorpada e parece mais forte, mais forte, por exemplo, que a Colorado Indica que tem 7% (aguardem os posts de Cerveja e War e Colorado e War!).   Mas isso vai do gosto de cada um.
Ih rapazDelilah!  Começou a tocar Delilah! Que música linda! Quem nunca viu e riu com o vídeo dessa linda canção eternizada por Tom Jones (Sexy Bomb!) no Old Grey Whistle Test?  Eu sei, eu sei: quase ninguém que você conhece viu, mas eu gosto de pensar que sim.  Ainda tenho fé no ser humano e quase me desculpo por isso.  Aliás, você deveria conhecer a SAHB e seu vocalista e líder Alex Harvey.  Uma banda tão eclética que é difícil rotular.  Influenciou bandas tão díspares como o AC/DC (vai dizer que você pensava que a voz temperada por whisky barato de Bon Scott era original e criação dele?) e o The Cure, de Robert Smith, talvez seu maior fã.  Tão fã que, ao compor “Just Like Heaven“, como um presente para sua esposa e companheira de vida Mary Poole, ele a pensou como sendo uma música da Sensational Alex Harvey Band.  Foi ele quem disse.
Mas o que isso tem a ver com a Brooklyn East India Pale Ale? Bom, todas as bandas que citei são britânicas (para sua informação, Bon Scott e os irmãos Young, do AC/DC são escoceses) e a IPA é uma cerveja tipicamente inglesa.  Forcei, né?
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Vale a pena?  Sim.  Mas, custo/benefício, se quiser uma IPA vá de (brasileiríssima!) Colorado Indica.  Siga um conselho, compre umas quatro garrafas dessa IPA, pegue uma porção de Buñuelo de Pollo à Moda Lali ou de Porquinho Show de Bola à Moda Isabela, coloque qualquer disco da SAHB na vitrola (a banda é tão hilária que há uma disco da Sensational Alex Harvey Band Without Alex, numa fase em que ele saiu), e vá ser feliz!
Are you going?

 

P.S. da Lalí: Eu ví e rí do vídeo do Tom Jones inúmeras vezes… but she laughed no more.  =’.’=

Discos que marcaram minha vida – Parte 2: Bebe Le Strange, Heart

Eu fiquei louco pelo Heart após o sucesso radiofônico de “If Looks Could Kill” e comprei o LP do meu colega de faculdade, o Coutinho (que, por curiosidade, é sobrinho do falecido Cláudio Coutinho ex-técnico da Seleção Brasileira).  Fiquei mais chapado ainda e todos os dias ia à banca de LPs usados da saudosa Subsom na Tijuca, à caça de algum álbum do Heart.  Chegava a ficar angustiado.  Lembrem-se de que naquela época não havia internet e nem tínhamos à nossa disposição a quantidade de informações que temos hoje.
Pois bem, num lindo dia, eis que tava lá, me olhando a um preço convidativo o LP Little Queen.  Não pensei duas vezes e adquiri o vinil (tenho ele até hoje!).  Quando botei na vitrola, a música de abertura era, nada mais nada menos, do que “Barracuda” e o riff me fez chapar mais ainda!  Fiquei louco e mais angustiado ainda, pois eu queria mais de Heart e não sabia onde encontrar.  Não era um dos grupos mais populares entre meus amigos roqueiros (não é, Vítor Bala?) nem entre os roqueiros que eu conhecia e saí, sem sorte alguma, procurando algum LP delas nos sebos da cidade, pois os discos do Heart estavam todos fora de catálogo.
Eis que, em um belo dia, estava eu caminhando sem compromisso pela Cinelândia, provavelmente matando aula, quando resolvi passar pela rua 13 de maio (a mesma onde desabou aquele prédio), rua onde alguns vendedores de LP enfileiravam sua mercadoria, na calçada mesmo, e a vendia a preços justos.  Quando, de repente, olhei pra uma fileira (eu não estava procurando disco nenhum) e lá estava ele.
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Bebe Le Strange – Heart – SONY DSC
A capa do LP é um retrato em preto e branco das irmãs Wilson (Nancy, a loira e Ann, a morena, que são as donas da Banda) sem nada escrito. Nem o nome da Banda e nem o nome do álbum, mas eu reconheci na hora (e eu nunca tinha visto a capa do LP!).  Perguntei o preço e eu não tinha o dinheiro!  Fiquei aflito e nervoso (quando eu fico nervoso me dá dor de estômago.  Quem me conhece, sabe). Pedi pro cara guardar o LP e pedi que ele me esperasse que eu ia em casa buscar dinheiro.  O cara só faltou rir, mas falou que tudo bem (devia estar acostumado com isso).
Peguei o metrô, fui até em casa, “assaltei” minha mãe, voltei pra Cinelândia o mais rápido que pude e o disco estava lá me esperando.  Que alegria!  Foi a viagem do Centro até a Tijuca mais lerda de todos os tempos!
Quando botei na vitrola, o riff de “Bebe Le Strange“…ah!, sem palavras!  A transição, a ponte, o refrão, a letra, tudo perfeito!  Contagiante a música.  Geralmente quando acontecem essas coisas, quando você gera grandes expectativas, acaba se decepcionando mas, daquela vez, a expectativa foi superada.  A segunda música, “Down on me“, é um blues bem arrastado e não deixa a peteca cair, grande trabalho do guitarrista Howard Leese (hoje tocando com Paul Rodgers e a Bad Company), meu guitarrista favorito do Heart.  Aliás, esse é o primeiro disco sem a presença do guitarrista solo Roger Fisher, que, na opinião deste humilde escriba, não faz falta alguma.  “Silver Wheels” é uma vinheta instrumental acústica (senão não seria um disco do Heart.  As irmãs Wilson adoram isso!) que serve de introdução para a pesada e rápida “Break“.  Música pra bater cabeça no estilo de “Communication Breakdown” do Led Zeppelin (influência, aliás, que as irmãs não negam, muito pelo contrário, abraçam, já tendo re-gravado o Led Zeppelin Vol. 4 quase todo e gravado discos com John Paul Jones e Jason Bonham).  E aí vinha “Rockin’ Heaven Down“, que eu escutei tanto, mas tanto, que não sei como o disco não furou.  Essa música acabava e eu colocava de novo.  E de novo!  (É lógico que eu tô escutando ela agora, enquanto vos escrevo!)… Rock me home, rock me home, rock me home, rock me home… E a harmonia… reminiscências.
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Howard Lesse e Roger Fisher
O lado B abre com o hit do disco, “Even it up“, música bem legalzinha à qual o grupo deu um “tratamento especial”, colocando metais pra deixar mais palatável pros ouvintes de rádio.  Não é minha prefeida mas é uma boa música.  “Strange Night“, um título perfeito pra essa música em que a bateria dá o ritmo com tambores meio que tribais.  Ressaltando o trabalho de guitarra do já citado Leese e da loira Nancy Wilson, aquele contraste entre violão e guitarra elétrica característico que só Heart sabe fazer.  “Raised on you”  é a única do LP em que o vocal principal é feito pela irmã que é guitarrista, Nancy, talvez a mais fraca do disco, mas “Pilot“, a música seguinte, compensa tudo.  Baladinha despretensiosa e gostosa, cantada de um jeito bem moleque por Ann Wilson.  Simples, sensacional, como as baladinhas devem ser, e, por falar nisso, o disco encerra com o baladão “Sweet Darlin’“, marca registrada do conjunto, e fecha com chave de ouro!
Esses dias eu comentava com a Isabela que, dos meus 46 anos de vida, gastei 2 meses só escutando esse LP sem fazer mais nada.  Exagero?  Sim.  Mas um mês foi, com certeza.
Esse não é o melhor disco da banda, não foi o mais vendido e nem o que teve mais sucesso comercial, mas, é o meu preferido pelo conjunto da obra.
P.S. Muito útil e agregador: Não podemos nunca deixar de falar do Sr. Wilson, sem o qual a banda não existiria. 😀