O Angra: A Cerveja Angels Cry

O Angra é uma banda de Heavy Metal sensacional, com músicos excepcionais e proficientes em seus seus instrumentos.  É melhor do que 80% (no mínimo) das bandas do estilo e isso não é pouco, pois é uma banda brasileira (e o nosso combalido país não é uma nação “roqueira”, por assim dizer).
Dito isso, tenho que Confessori (Ahahahah, não consegui resistir) que não sou lá muito fã da música da banda, à exceção de algumas poucas canções.  Esse disco, o Angels Cry, é o de estréia da banda e, nele, há o incontestável clássicoCarry On”  que é, desculpe a redundância, uma música sensacional.  Porém algumas coisas me incomodam nesse primeiro trabalho e vou citar algumas delas: as letras do André Matos sofrem de falta de imaginação e da falta de rimas, o que prejudica, na minha modesta opinião, as melodias complexas, porém agradáveis.  Tanto é que a melhor letra do álbum é “Stand Away“, escrita pelo guitarrista Rafael Bittencourt.  Outra coisa que vale a pena citar é o excesso de teclados, e, quando eles dão as caras, são extremamente maçantes, exagerados, com uma sonoridade popanos 80” que não combina com o som do grupo.  O cover de Wuthering Heights da Kate Bush fica aquém do original (que é inatingível) e desnecessário.
img_20150904_204339014
Mas vamos falar da cerveja que é o que interessa!  Essa foi o Jefferson quem me deu e o mínimo que posso dizer é que foi uma excelente escolha e combinou muito bem com o Sanduíche Empingao e as batatas rústicas que a Isabela fez pra acompanharShowzaço de bola!
IMG_20150904_211030157
Angels Cry com Empingao e Batatas Fritas
É uma Red Ale, de alta fermentação, com teor alcólico de 6,5%, de cor avermelhada (dãããããã).  Ela é bem forte mas desce bem pra caramba, é encorpada e tem bastante espuma, a qual é bem cremosa e agradável.  Ela é adocicada e é equilibrada com o amargor que qualquer cerveja tem (e deve ter, lógico).
img_20150904_204324393
Não é para ser bebida geladíssima e é, como as Bock (que são Lagers, Henrique Lagers), ideal para beber em dias frios.  Porém, como no Rio de Janeiro, cidade onde moro, não existe dia frio há pelo cinco anos, eu a bebi em um dia menos calorento e harmonizou, como eu disse anteriormente, legal legal com o Empingao (não resisto às rimas, ao contrário do André Matos).
img_20150904_210911735
Bom, aproveitem pois vale muito a pena.  E dêem uma chance ao CD também, pode ser que vocês gostemDave Mustaine gostou e chamou o Kiko Loureiro pra ensiná-lo a tocar guitarra lá no Megadeth.
P.S. da Lalí¹: Eu gosto de Wuthering Heights do Angra, e de Carry On, e de Stand Away. 🙂
P.S. da Lalí²: Eu não sei como categorizar este post: seria uma resenha de disco, ou uma resenha de cerveja?  Heheheh!

Qual é a melhor banda do mundo ? O Slade, é claro !

slade

Como diria o mestre Eu Mesmo: “Quem não gosta de Slade, bom sujeito não é !”. Tenho certeza que muitos vão discordar (principalmente meu irmão), mas eu não ligo. Essa é minha opinião e, cada vez que eu escuto uma performance “ao vivo” do grupo, eu me certifico mais disso.

Dessa vez foi “Born To Wild”. Meu filho Léozinho fez uns daqueles testes que tem no Facebook e era algo do tipo “qual música te personifica ?” e pediu pra eu fazer também, porque estava curioso, e deu a supracitada “Born to Be Wild”. Milhões de versões dessa música foram gravadas, mas a minha preferida é a do álbum “Slade Alive !”. Curiosidade: meu saudoso pai adorava essa música. Ele dizia que,quando acabava, dava uma sensação de alívio intensa. Rsrsrsrs…coisas de Rui Machado.

Mas,voltando ao texto, O Slade não tem os músicos mais virtuosos do planeta, eles são no máximo, músicos medíocres (no bom sentido). A formação da banda normalmente (porque, às vezes, eles trocavam seus instrumentos, com exceção da bateria) era: Noddy Holder (Vocal e Guitarra Rítimica), Jim Lea (Baixo), Dave Hill Dentinho (Guitarra Principal) e Don Powell (Bateria). A dupla Holder/Lea eram os compositores das músicas (que, em muitos casos, tinham a grafia errada de propósito nos seus títulos) em quase sua totalidade. Por falar em Lea, ele era o motor do Slade, pois além do baixo, pilotava também teclados, piano, violino e outros mais.

Aí vocês devem estar se perguntando: “Como então eles são a melhor banda do mundo ?”. Eu falo. É por causa das apresentações ao vivo. O supracitado “Slade Alive !”, na opinião deste humilde escriba, é o melhor disco ao vivo de todos os tempos ! Holder dá um show de berros em “Get Down and Get With It“. Na, também já citada, versão matadora de “Born To Be Wild”, há barulhos de helicópteros, bombas explodindo, ruídos e microfonias mil e, principalmente, a platéia vai à loucura ! De tirar lágrimas do coração mais sensível. Chego a marejar no teclado. Há outros discos do Slade ao vivo, mas este é o Santo Graal.

A energia que o Slade coloca em uma apresentação de rock and roll é uma coisa de louco e contagia a platéia de uma forma sinergética impressionante. Veja nesse vídeo de “Dizzy Mamma”. Ignore que o riff da música é chupado de “Tush” do ZZ Top. Não é à toa que a performance deles no Festival de Reading em 1980 é tida como uma das melhores apresentações de uma banda em toda a história do rock an roll. Eles entraram nesse festival de última hora (substituindo o Def Leppard, se não me engano. Me enganei. Foi o Ozzy.). Eles tinham feito um sucesso incrível na Inglaterra (foram um dos expoentes do chamado “Glam Rock”, tendo emplacado diversos hits número 1 nas paradas britânicas mas nunca fizeram muito sucesso nos EUA) no final dos anos 60 e começo dos 70, mas a explosão punk os havia varrido do mapa. Juntaram a banda só pra tocar nesse festival e subiram ao palco sob os olhares desconfiados da platéia. Arrasaram !

Sem me estender muito: que Beatles, que Rolling Stones, que The Who que nada. Se eu tivesse uma banda, eu queria que os caras tocassem igual ao Slade ! Então “Cum on Feel The Noize” e “Gudbye T. Jane” ! Ou melhor, “Gudbye Gudbye“! Ah, mamãe, será que eu fiquei louco agora ?

Discos que marcaram minha vida – Parte 2: Bebe Le Strange, Heart

Eu fiquei louco pelo Heart após o sucesso radiofônico de “If Looks Could Kill” e comprei o LP do meu colega de faculdade, o Coutinho (que, por curiosidade, é sobrinho do falecido Cláudio Coutinho ex-técnico da Seleção Brasileira).  Fiquei mais chapado ainda e todos os dias ia à banca de LPs usados da saudosa Subsom na Tijuca, à caça de algum álbum do Heart.  Chegava a ficar angustiado.  Lembrem-se de que naquela época não havia internet e nem tínhamos à nossa disposição a quantidade de informações que temos hoje.
Pois bem, num lindo dia, eis que tava lá, me olhando a um preço convidativo o LP Little Queen.  Não pensei duas vezes e adquiri o vinil (tenho ele até hoje!).  Quando botei na vitrola, a música de abertura era, nada mais nada menos, do que “Barracuda” e o riff me fez chapar mais ainda!  Fiquei louco e mais angustiado ainda, pois eu queria mais de Heart e não sabia onde encontrar.  Não era um dos grupos mais populares entre meus amigos roqueiros (não é, Vítor Bala?) nem entre os roqueiros que eu conhecia e saí, sem sorte alguma, procurando algum LP delas nos sebos da cidade, pois os discos do Heart estavam todos fora de catálogo.
Eis que, em um belo dia, estava eu caminhando sem compromisso pela Cinelândia, provavelmente matando aula, quando resolvi passar pela rua 13 de maio (a mesma onde desabou aquele prédio), rua onde alguns vendedores de LP enfileiravam sua mercadoria, na calçada mesmo, e a vendia a preços justos.  Quando, de repente, olhei pra uma fileira (eu não estava procurando disco nenhum) e lá estava ele.
SONY DSC
Bebe Le Strange – Heart – SONY DSC
A capa do LP é um retrato em preto e branco das irmãs Wilson (Nancy, a loira e Ann, a morena, que são as donas da Banda) sem nada escrito. Nem o nome da Banda e nem o nome do álbum, mas eu reconheci na hora (e eu nunca tinha visto a capa do LP!).  Perguntei o preço e eu não tinha o dinheiro!  Fiquei aflito e nervoso (quando eu fico nervoso me dá dor de estômago.  Quem me conhece, sabe). Pedi pro cara guardar o LP e pedi que ele me esperasse que eu ia em casa buscar dinheiro.  O cara só faltou rir, mas falou que tudo bem (devia estar acostumado com isso).
Peguei o metrô, fui até em casa, “assaltei” minha mãe, voltei pra Cinelândia o mais rápido que pude e o disco estava lá me esperando.  Que alegria!  Foi a viagem do Centro até a Tijuca mais lerda de todos os tempos!
Quando botei na vitrola, o riff de “Bebe Le Strange“…ah!, sem palavras!  A transição, a ponte, o refrão, a letra, tudo perfeito!  Contagiante a música.  Geralmente quando acontecem essas coisas, quando você gera grandes expectativas, acaba se decepcionando mas, daquela vez, a expectativa foi superada.  A segunda música, “Down on me“, é um blues bem arrastado e não deixa a peteca cair, grande trabalho do guitarrista Howard Leese (hoje tocando com Paul Rodgers e a Bad Company), meu guitarrista favorito do Heart.  Aliás, esse é o primeiro disco sem a presença do guitarrista solo Roger Fisher, que, na opinião deste humilde escriba, não faz falta alguma.  “Silver Wheels” é uma vinheta instrumental acústica (senão não seria um disco do Heart.  As irmãs Wilson adoram isso!) que serve de introdução para a pesada e rápida “Break“.  Música pra bater cabeça no estilo de “Communication Breakdown” do Led Zeppelin (influência, aliás, que as irmãs não negam, muito pelo contrário, abraçam, já tendo re-gravado o Led Zeppelin Vol. 4 quase todo e gravado discos com John Paul Jones e Jason Bonham).  E aí vinha “Rockin’ Heaven Down“, que eu escutei tanto, mas tanto, que não sei como o disco não furou.  Essa música acabava e eu colocava de novo.  E de novo!  (É lógico que eu tô escutando ela agora, enquanto vos escrevo!)… Rock me home, rock me home, rock me home, rock me home… E a harmonia… reminiscências.
Fisher_Roger_Leese_Howard_1978_rogerfishercom1
Howard Lesse e Roger Fisher
O lado B abre com o hit do disco, “Even it up“, música bem legalzinha à qual o grupo deu um “tratamento especial”, colocando metais pra deixar mais palatável pros ouvintes de rádio.  Não é minha prefeida mas é uma boa música.  “Strange Night“, um título perfeito pra essa música em que a bateria dá o ritmo com tambores meio que tribais.  Ressaltando o trabalho de guitarra do já citado Leese e da loira Nancy Wilson, aquele contraste entre violão e guitarra elétrica característico que só Heart sabe fazer.  “Raised on you”  é a única do LP em que o vocal principal é feito pela irmã que é guitarrista, Nancy, talvez a mais fraca do disco, mas “Pilot“, a música seguinte, compensa tudo.  Baladinha despretensiosa e gostosa, cantada de um jeito bem moleque por Ann Wilson.  Simples, sensacional, como as baladinhas devem ser, e, por falar nisso, o disco encerra com o baladão “Sweet Darlin’“, marca registrada do conjunto, e fecha com chave de ouro!
Esses dias eu comentava com a Isabela que, dos meus 46 anos de vida, gastei 2 meses só escutando esse LP sem fazer mais nada.  Exagero?  Sim.  Mas um mês foi, com certeza.
Esse não é o melhor disco da banda, não foi o mais vendido e nem o que teve mais sucesso comercial, mas, é o meu preferido pelo conjunto da obra.
P.S. Muito útil e agregador: Não podemos nunca deixar de falar do Sr. Wilson, sem o qual a banda não existiria. 😀

I Hope Neil Young Will Remember…

Tenho lido ultimamente várias biografias e autobiografias de bandas ou astros de, principalmente, rock and roll. Vejo muitas discussões por aí, principalmente na internet, sobre qual é a melhor, se autobiografias ou biografias. Uns defendendo ferrenhamente uma e outros alardeando as vantagens de outra.
Particularmente, eu acho que cada tipo de narrativa tem suas vantagens e desvantagens, como por exemplo, no caso das autobiografias, o escritor contar a história do seu (dele) ponto de vista e por isso ser muito mais fiel à verdade. A desvantagem, neste caso, é que a pessoa conta a “sua” (dela) versão da história, muitas vezes justificando seus erros sem a chance de réplica. Outra desvantagem bem grande também é que, geralmente, o escritor, na maior parte da sua vida (pelo menos na parte mais interessante), estava sob efeito de drogas. Mas isso também pode ser uma vantagem já que produz relatos por vezes engraçadíssimos. Mas estou digressionando. Já nas biografias as vantagens e desvantagens são, em sua maioria, inversamente análogas.
 Ou seja, esse blá, blá, blá, serviu pra dizer que um bom livro depende de um bom escritor e Neil Young revela-se um mestre.
 img_20141225_175944002-1 copy
Young revela-se um velho chato, ranzinza, implicante e de mudanças súbitas de humor (será que eu me idetifiquei, Bela e Lali ? Rsrsrsrs) e isso gera as melhores histórias.
Parece que ele quer falar dos assuntos que o interessam e ele fala disso muito: seu tocador de música digital de alta qualidade (O Pono, aproveitando para isso, cutucar de leve o itunes e, por conseguinte, a apple), seus hobbies de ferromodelismo, sua coleção de carros e seu projeto de um Cadillac movido à eletricidade que ele chama de Lincvolt. Você vai ler muito sobre isso nas 400 páginas do livro e uma hora vai encher teu saco. Mas vai amar. Ele também fala do que você quer saber, ou seja, de sua trajetória no Rock and Roll, das histórias sobre sua longeva carreira, de sua Les Paul preta (que ele chama de old black), das imitações de Jimmy Fallon e de seu equipamento de palco entre outras coisas.
Mas eu digressionei no início do texto e eu mesmo me acusei, você lembra?  Você não viu nada!  Neil é a digressão em pessoa.  O livro não é linear cronologicamente e, se você é daqueles que só leem 10 páginas por dia, vai se atrapalhar um pouco.  O que me pareceu é que, ao entregar as páginas na editora, o editor ligasse pra ele furioso e:
– Mas Neil, e o Buffalo Springfield ?
– Porra, cara ! Eu tenho MESMO que escrever sobre isso ?
Mas leia. Eu recomendo. Você se emocionará com as histórias sobre seus dois filhos com paralisia cerebral (um de cada esposa!), com a cura de sua poliomielite e, quem sabe, se identificará com suas relações familiares e com sua juventude em um pequena cidade do interior.  História de vida pra tirar nossa próprias lições e conclusões.
Algumas frases:
– “A vida é um sanduíche de merda. Coma ou morra de fome.”
– “Seja excelente ou suma daqui !”